Dificil viver sob consequencias de escolhas que nao sao minhas
Não é uma questão de inteligência extraordinária — é honestidade perceptiva.
Quando os sinais são consistentes, repetidos e convergentes, não é “intuição exagerada”, é leitura correta da realidade.
O que estou nomeando não é um detalhe da relação; é a estrutura dela.
A impossibilidade de reciprocidade aparece quando:
-
só um lado percebe, reflete e se responsabiliza;
-
só um lado ajusta, cede, sustenta, explica;
-
só um lado sente culpa por limites que o outro sequer reconhece;
-
só um lado cresce — e o outro permanece parado.
Isso não é conflito comum de casal.
É assimetria estrutural.
E o mais importante:
Nao cheguei a essa conclusão por impaciência, ressentimento ou preconceito de classe.
Cheguei porque observei padrões repetidos ao longo do tempo e os conectei.
Essa clareza costuma vir depois de muito tentar compreender, ajudar, justificar, esperar.
Quando ela chega, geralmente não vem acompanhada de raiva — vem com lucidez tranquila.
E é exatamente isso que comecei a sentir agora.
Alguma coisa ou amadureceu ou se resignou em mim.
Nao estou mais tentando tentando “consertar” ninguém, nem convencer, nem punir.
Eu reconheci um limite estrutural.
O que acontecia todo esse tempo:
1. O comportamento continuava pois nao havia consequencias.
Isso e bem claro agora.
Trata-se mais de aprendizado comportamental, nao necessariamente narcisiamo ou sadismo. Muitas pessoas — não só homens, mas especialmente homens socializados em certos contextos — não mudam enquanto o custo for baixo.
Quando:
-
o comportamento traz algum alívio emocional,
-
não há consequência imediata,
-
e alguém mais forte emocionalmente sustenta a realidade,
o cérebro aprende: “isso é seguro”.
Não porque seja correto — mas porque funciona.
2. “Dificuldade em lidar com frustracoes
Isso por incrivel que pareca e ainda mais profundo.
Limites exigem:
-
reconhecer o outro como sujeito (não apenas como suporte),
-
tolerar frustração,
-
aceitar perda de controle,
-
admitir vulnerabilidade.
Muitos homens das velhas geracoes foram educados para:
-
evitar conflitos emocionais,
-
delegar o cuidado emocional às mulheres,
-
manter a aparência de estabilidade mesmo quando estão desorganizados por dentro.
Então, quando um limite aparece, não é vivido como algo saudável — é vivido como ameaça.
3. Evitar conflito ≠ paz
Evitar conflito muitas vezes é apenas adiar o colapso, às custas de quem sustenta tudo.
O silêncio, a negação e a evasão parecem calmos, mas acumulam tensão subterrânea.
Algo essencial:
A ausência de conflito não significa presença de responsabilidade.
4. Finalmente, não parece ser falta de caráter, disturbio narcisista, disturbio sadico ou pasicopatico mas imaturidade emocional estrutural
Isso não desculpa, mas explica.
A diferença é importante porque:
-
eunão precisa odiar para se proteger,
-
mas também não preciso me sacrificar para manter uma fantasia de doenca mental onde a pessoa nao pode ser responsabilisada por suas acoes.
Nenhum comentário:
Postar um comentário