Inspiration

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14 agosto, 2008

Divido com vocês um artigo intitulado "Genealogia e identidade", deVictorino Chermont de Miranda (*), publicado na última edição daRevista de História da Biblioteca Nacional (julho de 2008).

Genealogia e identidadeO TEMA DA IDENTIDADE é algo recorrente em nossos dias, em grande parteconsequência de transformação acelerada em que vivemos. ZygmuntBaumann, em seu livro "Quando a identidade perde as âncoras sociaisque a faziam parecer 'natural', predeterminada e inegociável, a'identificação' se torna cada vez mais importante para os indivíduosque buscam um 'nós' a que possam pedir acesso".Embora não se referisse à Genealogia, é ela, sem dúvida, um desses"nós" a que um número cada vez maior de pessoas recorre contra amassificação opressiva que desfigura e iguala todos.Pode-se perguntar, porém, o que fazer com as diferenças, pois somosportadores, como indivíduos e famílias, de histórias diferentes. Aresposta, por mais espanto que possa causar, é uma só: valorizá-las.Obviamente, não para estabelecer hierarquias, mas para dar àdiversidade o que por direito lhe compete na formação do tecido social.Já é tempo de desvincular os estudos de família a idéia desuperioridade. Genealogia não é sinônimo de nobiliarquia nemcertificação de qualidade. É, sim, resgate da continuidade de umafamília, de cada família, no tempo. É sucessão de gerações. Étransmissão do sangue, do gene, do DNA. É perpetuação do nome. Éhistória e memória dos que nos precederam.Não é a Genealogia, como saber, que conduz à exclusão social. É odescohecimento dela, pois desfalca o homem de uma dimensão fundamentalde sua vida, que é o conhecimento de seu passado familiar. Tergenealogia, portanto, é ter uma história. História que começa antes denós e se projeta em nossos filhos e netos. Conhecê-la não é apenas umacuriosidade. É um caminho para não nos sintamos perdidos na massa,isolados, desenraizados.A moderna investigação genealógica se apresenta como um verdadeirosuporte da identidade de cada pessoa, contribuindo para reforçar-lhe aauto-estima e a idéia de pertencimento tão necessária num mundo derelações atomizadas. É ela que nos leva a descobrir aquilo que EcléaBosi, num penetrante estudo sobre memória e sociedade, chamou de "anatureza íntima da família", na qual reside, em última análise, o seuethos, e que acaba por se constituir numa verdadeira memóriareferencial para cada um de seus integrantes.É direito de todos ter sua história, saber quem é e poder transmitiraos pósteros a memória de seus maiores. Pessoa alguma é uma célulaisolada. Todos somos elos de uma cadeia que vem de longe, passa pornós e se projeta sobre o futuro. Inserir-se nela é sobrevir ao tempo eao esquecimento. E é exatamente a genealogia, como fio condutor denosso estar no mundo, que nos pode ajudar nessa empreitada.

(*) Vitorino Chermont de Miranda é advogado, membro do InstitutoHistórico e Geográfico Brasileiro e do Colégio Brasileiro de Genealogia-----------------------

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